3 anos de governo Tarcísio em São Paulo: O custo invisível da gestão por planilhas
Ao completar três anos à frente do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas consolidou uma marca: a da eficiência técnica a serviço de um projeto ideológico radical. O estado de São Paulo, historicamente o motor econômico e intelectual da federação, tornou-se o laboratório de uma gestão que prioriza a liquidação do patrimônio público e a retórica da força em detrimento do bem-estar social e do diálogo democrático.
Se a imagem vendida é a do "gestor de entregas", a realidade dos corredores públicos revela um governo de contrastes perigosos. Reeleger Tarcísio em 2026 não seria apenas uma escolha administrativa, mas a ratificação de um modelo que fragiliza o serviço público e empurra o estado para uma polarização que ignora as nuances das necessidades paulistas.
Quem é Tarcísio de Freitas e como chegou ao governo de São Paulo
Carioca de nascimento e militar de formação, Tarcísio de Freitas nunca escondeu ser um "outsider" no cenário político paulista. Sua ascensão foi catapultada pela vitrine do Ministério da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, onde cultivou a imagem de técnico incansável.
Sua vitória em 2022 foi o triunfo do "bolsonarismo moderado" na forma, mas radical no conteúdo. Sem raízes profundas com as demandas locais de São Paulo, Tarcísio importou um modelo de governança que vê o estado mais como uma empresa a ser enxugada do que como uma entidade provedora de direitos.
Privatizações a qualquer custo: O caso Sabesp
A espinha dorsal da gestão Tarcísio é a agenda de desestatização. O exemplo mais emblemático — e preocupante — é a privatização da Sabesp. Realizada sob forte protesto popular e questionamentos jurídicos, a venda do controle de uma das maiores empresas de saneamento do mundo ignora o risco iminente de precarização do serviço em áreas periféricas, onde o lucro não é atrativo para o investidor privado.
A obsessão pelas concessões de rodovias e linhas de metrô e trens (como as Linhas 8 e 9, marcadas por panes constantes e descarrilamentos após a privatização) mostra que o "choque de gestão" prometido entrega, muitas vezes, um serviço mais caro e menos eficiente para o cidadão que depende do transporte público diariamente.
Segurança Pública: A política da letalidade
Um dos lados mais sombrios da gestão reside na Secretaria de Segurança Pública. Sob o comando de Guilherme Derrite, o governo Tarcísio promoveu um recrudescimento das operações policiais que resultaram em índices alarmantes de letalidade, especialmente na Baixada Santista durante a Operação Verão.
O desmonte simbólico e prático de políticas de transparência, como o questionamento constante sobre o uso de câmeras corporais, sinaliza um retrocesso civilizatório. Ao priorizar o confronto em vez da inteligência e do policiamento comunitário, o governo flerta com uma política de segurança que vitima não apenas suspeitos, mas a própria confiança da população nas instituições.
Crises políticas e o distanciamento da educação
A gestão também é marcada por embates desnecessários com setores fundamentais da sociedade. O corte de verbas na educação e o projeto de implementação de materiais didáticos exclusivamente digitais — posteriormente recuado após pressão — demonstraram uma desconexão com a realidade das escolas estaduais.
As greves de professores e estudantes foram respondidas com rigidez excessiva, revelando um governador que tem dificuldade em lidar com o contraditório e com os movimentos sociais que historicamente constroem a democracia paulista.
O eterno cordão umbilical com Jair Bolsonaro
Embora tente posar como uma direita "civilizada" diante do mercado financeiro, Tarcísio mantém os pés firmemente plantados no terreno do bolsonarismo. Sua lealdade a Jair Bolsonaro é um cálculo político constante: ele precisa do espólio eleitoral do ex-presidente, mas tenta evitar o desgaste das pautas mais extremas.
Essa ambiguidade é perigosa. Ao flertar com o apoio a figuras como Donald Trump e manter alinhamentos ideológicos globais de extrema-direita, Tarcísio coloca São Paulo no centro de uma disputa ideológica que pouco contribui para a resolução de problemas práticos como a Cracolândia ou o déficit habitacional.
Por que a reeleição seria um erro para São Paulo
Reeleger Tarcísio de Freitas significa dar um cheque em branco para a continuidade da erosão do setor público. São Paulo é o coração financeiro do Brasil, mas esse coração só bate se houver infraestrutura social que suporte sua população.
Risco Institucional: A consolidação de um projeto que aparelha a segurança e privatiza bens essenciais pode tornar os danos irreversíveis.
Ausência de Projeto Social: O foco exclusivo em obras e privatizações deixa lacunas imensas na saúde e na assistência social, áreas que não geram dividendos imediatos para o marketing político.
Trampolim Político: Fica evidente que São Paulo é apenas uma etapa no projeto pessoal de Tarcísio rumo ao Planalto. O estado não pode ser tratado como um laboratório de testes para uma candidatura presidencial em 2030.
O balanço desses três anos não é de uma gestão técnica, mas de uma gestão política fria, que olha para o mapa de São Paulo e enxerga apenas ativos a serem vendidos e oponentes a serem vencidos. Para o futuro do estado, o preço desse modelo pode ser alto demais.
O que você pensa sobre os rumos de São Paulo? As privatizações trouxeram melhorias reais para o seu dia a dia ou o estado está ficando mais caro e desigual? Refletir sobre o impacto dessas políticas hoje é fundamental para decidirmos o amanhã do nosso estado.


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