Marcha para Jesus ou comício eleitoral? O avanço da política nos púlpitos e a crise do Estado laico brasileiro
A Marcha para Jesus 2026 , que reuniu milhões de fiéis nas ruas, foi muito mais do que uma manifestação de fé. Para o observador atento, o evento desenhou um mapa nítido das disputas de poder que moldarão o Brasil nos próximos anos. Ao lado de líderes religiosos, uma fileira de autoridades — incluindo Flávio Bolsonaro , Tarcísio de Freitas , Ricardo Nunes , André Mendonça e Jorge Messias — transformou o que deveria ser um ato litúrgico em uma vitrine estratégica de articulação política. Essa presença massiva reacende uma discussão antiga e necessária: onde termina a manifestação religiosa e onde começa a disputa por votos? Em um país cuja Constituição define o Estado como laico , a cena levanta uma questão fundamental: a participação de políticos em grandes eventos religiosos fortalece a representatividade ou enfraquece o princípio constitucional da separação entre Estado e religião? O peso político do eleitorado evangélico Não é coincidência que o palco da Marcha seja disputad...